Vida de rei na Bahea!


Na boa, já aguentei mais de 10 dias na Bahia. E mais de 10 dias atrás ainda choviam questões sobre o trabalho, sobre as tartarugas e, acreditem, sobre a dificuldade de se morar nesse lugar. 'A dificuldade de morar no paraíso?', eu me perguntava.
Conde. Cidade pequena, população pequena, recursos pequenos. Sítio do Conde, a cidade do Conde em miniatura, e claro, tudo menor ainda. De grande mesmo só o mar e a simplicidade dos habitantes mais antigos, alguns deles companheiros de trabalho, livres da contaminação que se apoderou das mentes mais jovens até por essas bandas, que trocam o Sol da Bahia pela TV, o barulho do mar pelas bandas mais pobres de conteúdo (vide xarlibrau), o Vitória e o Bahia por Flamengo, Cortinthians e Manchester, e até as babas diárias pelo W11. Como bom mineiro sem familiaridade com o mar, ainda que as chuvas do fim do inverno atrapalhem, vou tendo minha vida de rei na Bahia. Fato que me remete a minha experiência recente com o mais tradicional da culinária bahiana:
- Acarajé, meu rei?
'Meu rei', analisei. Tradição? Clichê? Tratamento carinhoso? Não importa. Atendi mesmo com pressa e sem fome, sem imaginar que acima de tudo aquela era uma previsão, como se além da bahiana mais típica, da roupa tradicional ao excesso de peso e colares, ela fosse também uma Iyalorixá. Começamos com um bolinho de feijão, parecido com os do Mineirão que só se come quando já tá caindo de bêbado. Vatapá, caruru, salada, camarão seco.. 'porque não? Vamo cair pra dentro!'. Hora da pimenta, nada de "quente ou frio?", clichê nada tradicional dos acarajés falsificados, ou mal falsificados, como o 'aracajé' de uma colega de trabalho. 'Ah, enche a colher aí' - respondi curta e grossamente e fui impiedosamente atendido.
A profecia foi se cumprir no dia seguinte. Acarajés excedentes guardados e esquentados no microondas para o café da manhã do outro dia são os piores, daqueles que você deveria comer sentado no vaso (parafraseando meu irmão sobre sua opinião a respeito de alguma coisa da culinária japonesa). Da primeira mordida à hora de dormir,  tive o ápice da minha vida de rei na Bahea. Da cama pro trono, do trono pra cama. Ainda bem que foi num dia de chuva. E graças ao painho que foi num dia de folga.

3 comentários:

  1. fala kabeça!!
    vei esse blog seu ta falido...
    dexa eu comenta entao aquela foto primeira la de cima!! do c andano q nem um "aventureiro". como uma profecia estava ja escrito na foto o local da sua quase morte.
    Quem ainda nao se localizou, as coordenadas da foto (perfeita por sinal, tirada por mim - ou seria por eu??) são: ilha grande - RJ, praia dos aventureiros.
    A pedra ao fundo é a temível (por alguns andarilhos inexperientes): Pedra do Demo. Dela muitas estórias de pescadores já foram contadas, uma porém eu presenciei. Dela posso afirmar pois presente estive ali.
    A pedra como se vida tivesse tentou por um impulso ceifar a vida do imaturo kk. Presenciei momentos de agonia do pobre coitado, que atraves de gritos insolentes chamou nos atençao (digo por mim e meu destemido primo tulio) de que pela boca do demo estava a escorregar. Estavamos um pouco a frente de kk (mais conhecido como lesminha ou entao somente por "mula"), ouvimos entao dois gritos estridentes, iguais a de uma moçoila. Corremos para averiguar, achando que uma bela donzela iriamos encontrar.
    Mas nao! o que vimos ali, quase guela abaixo do grande monstro era apenas o kk. Ele estava em meio a corais e cracas, as ondas ricocheteavam em suas finas canelas. Ele havia escorregado e por intervensão divina o mar não o pode engulir.
    Fomos entao acudi-lo, eu, tulio e um pescador local que passava por ali. Tentei descer para pega-lo. Consegui pegar a sua mochila. Quando tentei puxa-lo para cima temi por um momento preso ficar também. Pegamos entao um grande galho e o puxamos de dentro da garganta do demo!
    Lembro muito bem de cada momento ali. Cheguei a pensar no que a mãe de Kabeça havia me dito ainda na rodoviaria: "Por favor, Manuel, cuide de meu filho".
    Era a minha missão salvá-lo ali naquele momento. Lembro muito bem de suas pernas trêmulas e o medo escondido por tras de um menino que se acha homem, que se acha um gigante do Alaska!
    Acredite se você quiser ou não, meu caro leitor. O que pensas não irá mudar a realidade dos fatos que foram. Pode chegar um dia em que essa história será apenas mais uma estória. Mas não me importo. O importante é que eu estava ali, todos nós estavamos e sabemos exatamente o que aconteceu.
    Alguem já me disse que quem caisse dali nunca sairia vivo. O que vi, prova o contrário.

    Manuel Loureiro Gontijo 01/09/2009

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  2. Meu sonho....nunca nem comi Acaraje

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  3. saudade da bahia
    falta pouco!
    o jow como que faz pra ir ai?

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